Aos 40 anos, jogadora celebra conquista inédita com o Osasco e emociona com discurso sobre representatividade e sobrevivência
Na noite desta quinta-feira (1º/5), Tifanny Abreu cravou seu nome na história do esporte nacional ao se tornar a primeira mulher trans a conquistar a Superliga de Vôlei. A vitória veio com o hexacampeonato do Osasco, que superou o Sesi-Bauru por 3 sets a 1, consolidando a trajetória vitoriosa do time na principal competição do vôlei feminino do país.
Aos 40 anos, Tifanny ultrapassa simbolicamente a expectativa de vida de pessoas trans no Brasil, estimada em 35 anos, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). A conquista, portanto, extrapola as quadras e se torna símbolo de resistência e superação.
Discurso emocionado e representativo
Após o apito final, Tifanny deu um depoimento comovente sobre a vitória e seu significado além do esporte:
“Eu entro em quadra carregando não somente a Tifanny, mas toda a letra T — de transsexuais, transgêneros e travestis. Cada um que representa essa comunidade carrega essa bandeira. Nós lutamos diariamente por sobrevivência.”
A atleta também fez um apelo à empatia e ao respeito:
“Com 40 anos, me sinto uma sobrevivente. A maioria das mortes de pessoas trans no Brasil são brutais e causadas por um público que, paradoxalmente, também consome pornografia trans. Peço que pais, mães e toda a sociedade reflitam: nós só queremos trabalhar e ter dignidade.”
Símbolo de luta e inspiração
Tifanny, que já enfrentou inúmeros desafios ao longo da carreira, se consolida como um marco da inclusão no esporte nacional. Sua trajetória desafia preconceitos e inspira novas gerações de atletas LGBTQIAPN+ que buscam reconhecimento, respeito e espaço em alto nível competitivo.