Atacante do Flamengo será ouvido na próxima segunda-feira; investigação aponta possível envolvimento em fraude ligada a cartão amarelo.
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) marcou para segunda-feira (26) a audiência que ouvirá Bruno Henrique, atacante do Flamengo, suspeito de envolvimento em um esquema de manipulação de apostas esportivas. O caso gira em torno de um cartão amarelo recebido pelo jogador na partida entre Flamengo e Santos, realizada em 1º de novembro de 2023, pelo Campeonato Brasileiro.
Bruno Henrique foi indiciado pela Polícia Federal por fraude em competição esportiva, junto com outros dez suspeitos. As investigações apontam que o jogador teria alertado seu irmão, Wander Nunes Pinto Júnior — conhecido como “Juninho Neymar”, figura destacada no futebol amador mineiro — sobre a intenção de forçar um cartão, gerando lucro com apostas. Conversas via WhatsApp entre os dois foram anexadas como indícios do suposto plano.
Esquema revelado e valores apostados
Segundo os investigadores, Wander teria lucrado R$ 1.180,67 após apostar R$ 380,86 em que o irmão receberia um cartão amarelo. As mensagens demonstram conhecimento prévio da advertência, com Bruno Henrique sugerindo que poderia “entrar forte em alguém” para garantir o cartão contra o Santos.
Além de Wander, outras pessoas próximas ao atleta também teriam participado do esquema, incluindo uma prima e uma cunhada. A operação da Polícia Federal, batizada de Spot-Fixing, foi deflagrada em novembro de 2024, após três casas de apostas identificarem movimentações suspeitas em contas recém-criadas.
Defesa, julgamento e consequências possíveis
Bruno Henrique nega qualquer irregularidade. Em entrevista ao Sportv após o título do Flamengo na Copa do Brasil, em novembro de 2024, o atacante afirmou estar tranquilo e confiante na Justiça: “Recebi [a operação] de forma agressiva. Não esperava, mas acredito em Deus e na minha inocência.”
O STJD pode enquadrar o jogador no artigo 243-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata da manipulação de resultados. A punição pode variar de multa até suspensão por um ano. O auditor responsável pelo caso é o vice-presidente do STJD, Maxwell Borges de Moura Vieira.
O Flamengo, até o momento, mantém o atleta à disposição do elenco e não anunciou afastamento.