Jornal “The Guardian” revela acidente fatal durante construção do Estádio Aramco; caso lembra tragédias que marcaram os preparativos da Copa no Qatar
Faltam mais de nove anos para o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2034, que será realizada na Arábia Saudita. No entanto, as primeiras polêmicas envolvendo o torneio já começaram. Segundo informações publicadas nesta sexta-feira (21) pelo jornal inglês The Guardian, foi registrada a primeira morte de um trabalhador diretamente ligado às obras de infraestrutura para o evento.
A vítima é Muhammad Arshad, um paquistanês que trabalhava na construção do Estádio Aramco, em Al-Khobar. Ele caiu de um andar superior no último dia 12 de março, enquanto realizava tarefas em uma plataforma que acabou se inclinando. De acordo com as informações divulgadas, Muhammad não estava preso a nenhum equipamento de segurança contra quedas no momento do acidente. O impacto da queda não causou sua morte imediata, mas ele não resistiu aos ferimentos e faleceu a caminho do hospital.
O Grupo Besix, empresa belga responsável pela obra, confirmou o acidente em nota:
“Uma equipe de três trabalhadores estava envolvida em operações de cofragem (criando moldes para concreto) em altura quando a plataforma em que estavam trabalhando se inclinou. Enquanto todos os três estavam equipados com sistemas de proteção contra quedas, um trabalhador não estava conectado a um ponto de ancoragem no momento do incidente e caiu, sofrendo ferimentos graves. O trabalhador infelizmente sucumbiu aos ferimentos no hospital.”
Muhammad Arshad tinha três filhos, com idades entre dois e sete anos. O corpo foi levado de volta ao Paquistão na terça-feira (18), onde foi sepultado próximo à residência da família. Conforme determina a legislação trabalhista da Arábia Saudita, a empresa responsável deve arcar com uma indenização pelo falecimento ocorrido em serviço. O Grupo Besix também se comprometeu a prestar apoio à família do trabalhador.
Condições de trabalho já preocupam
O acidente reacende o debate sobre as condições dos trabalhadores imigrantes na Arábia Saudita, que deve recorrer massivamente a essa mão de obra para viabilizar as construções e reformas previstas para a Copa de 2034. Ao todo, serão erguidos 11 novos estádios, além de obras de ampliação de infraestrutura para transporte, hospedagem de delegações e recepção de turistas.
As preocupações não são novas. Durante a preparação para a Copa do Mundo de 2022, no Qatar, as denúncias de violações de direitos trabalhistas foram frequentes. O próprio governo admitiu a morte de mais de 400 trabalhadores, vítimas de quedas e das condições desumanas enfrentadas nas obras. No entanto, organizações internacionais apontam que o número real pode ser muito maior.
Com a expectativa de receber 48 seleções em 2034 – aumento de 50% em relação à Copa de 2022 –, a Arábia Saudita já enfrenta pressão para garantir segurança e dignidade aos operários. O trágico episódio envolvendo Muhammad Arshad mostra que os desafios nessa área continuam.