Laudo toxicológico aponta ausência de substâncias ilícitas no corpo do craque argentino, contrariando especulações sobre vício no momento da morte.
Na sétima audiência do julgamento que apura as circunstâncias da morte de Diego Maradona, o perito bioquímico Ezequiel Ventosi revelou nesta terça-feira (1º/4), em San Isidro, na Grande Buenos Aires, que não foram encontradas drogas ilícitas no organismo do ex-jogador. A declaração confronta a fama do ídolo como usuário de entorpecentes ao longo da carreira.
“Nenhum dos quatro tubos [de amostras] deu positivo para cocaína, maconha, MDMA, êxtase ou anfetamina”, afirmou Ventosi, responsável pelas análises de sangue, urina e saliva. A perícia, no entanto, identificou cinco substâncias relacionadas a medicamentos legais — entre eles, antidepressivos, antipsicóticos, anticonvulsivantes e remédios contra náuseas.
Negligência médica sob investigação
Maradona morreu em novembro de 2020, aos 60 anos, vítima de um edema pulmonar agudo provocado por insuficiência cardíaca, enquanto se recuperava de uma cirurgia cerebral para tratar um coágulo. O julgamento em curso busca apurar se houve negligência médica no período pós-operatório.
Sete profissionais da saúde estão sendo julgados sob acusação de homicídio simples com dolo eventual, ou seja, por assumirem o risco da morte do paciente. Entre os réus estão o neurocirurgião Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov, o psicólogo Carlos Diaz, além de membros da equipe de enfermagem e coordenação médica.
Consequências e comoção
Se condenados, os acusados podem cumprir penas que variam entre 8 e 25 anos de prisão. A defesa de Maradona argumenta que ele foi mantido em condições inadequadas de internação domiciliar, conforme apontaram também imagens do imóvel onde faleceu.
O julgamento mobiliza a opinião pública argentina e fãs ao redor do mundo, que buscam justiça para um dos maiores nomes da história do futebol. As novas revelações reforçam a complexidade do caso e ampliam o debate sobre responsabilidade médica e o tratamento dado a figuras públicas em estado vulnerável.