– O problema dos moleques não é a qualidade deles e, sim, a agressividade com que se faz as críticas aos jovens, isso que mata os jogadores. A crítica é tão agressiva e violenta que mata os jogadores. O celular tem coisas maravilhosas, mas tem outras que é veneno puro, ódio, violência etc. Como você acha que eles se sentem? Por isso nós temos 12 jovens e precisamos ter cuidado no trato com eles, pois em dias como hoje, o grosso sobra para treinador, diretoria, mas depois sobra para eles, também – disse Abel.
A grande preocupação do treinador é em dar mais chances aos jovens justamente no período de maior turbulência da equipe na temporada. O Palmeiras não vence há cinco jogos, acabou eliminado na semifinal da Conmebol Libertadores e caiu da vice-liderança para o quarto lugar no Brasileirão.
– E o que vem do celular é muito forte. É diferente ser campeão na base e subir para o profissional. Nunca na história do Palmeiras o time jogou com tantos jovens formados na base. Há torcedores que gostam do Palmeiras, mas há aqueles que só gostam de ganhar.
– O dia de hoje parece que somos todos uma porcaria. Nós precisamos fazer uma reflexão: é isso que me interessa? Só vão bater nas costas quando ganhar ou valorizar tudo que foi feito. O Palmeiras tem presente e tem futuro, mas não estamos preparados para não ganhar sempre – refletiu Abel.
Desde que chegou ao Palmeiras, Abel Ferreira utilizou 36 jogadores formados na base do clube, sendo que 24 deles foram lançados pelo próprio treinador. Nesta temporada, 13 crias da Academia entraram em campo em pelo menos uma partida.
– Jogar com essa camisa tem muito peso e responsabilidade, então é necessário escolher determinados jogadores para representar um clube como esse. Os jovens têm dado respostas, mas não vou mentir, o Zé Rafael se adaptou bem a posição de 5, mas continuo a dizer que fizemos o melhor que podíamos – finalizou o treinador.