Fenômeno revela bastidores da decisão, denuncia falta de abertura para diálogo e critica modelo de poder na entidade
O ex-jogador Ronaldo Fenômeno confirmou, em março, a retirada oficial de sua candidatura à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Em entrevista ao podcast Charla, ele revelou detalhes dos bastidores de sua decisão e lamentou o bloqueio imposto pelas federações estaduais, que sequer abriram espaço para o diálogo.
Tentativa barrada desde o início
Ronaldo afirmou que não conseguiu se reunir com os dirigentes das federações, destacando a rigidez do sistema: “O sistema realmente não deixa ninguém entrar”. Segundo ele, 23 das 27 federações recusaram qualquer contato, justificando “satisfação com a atual gestão” e apoio à reeleição do atual presidente, Ednaldo Rodrigues.
Apoio familiar e frustração com a estrutura
Apesar da resistência familiar, Ronaldo decidiu seguir adiante movido por sua paixão pelo futebol e o desejo de contribuir com mudanças estruturais. “Convenci todos que iria”, disse. Mas o cenário o fez recuar: “Não pude apresentar meu projeto, levar minhas ideias e ouvi-las como gostaria.”
Ele ressaltou que, historicamente, a CBF jamais teve uma eleição com dois candidatos, o que, segundo ele, evidencia o caráter fechado do sistema de poder dentro da entidade.
Projeto vetado e estrutura desigual
Ronaldo precisava do apoio de quatro federações e quatro clubes das Séries A e B para viabilizar sua candidatura — exigência não alcançada. Com regras eleitorais que favorecem as federações (com peso três por voto), é possível vencer a eleição apenas com o apoio dessas entidades.
Em nota, Ronaldo declarou: “Se a maioria com o poder de decisão entende que o futebol brasileiro está em boas mãos, pouco importa a minha opinião.”
A desistência de Ronaldo reforça o debate sobre transparência, democracia e renovação na CBF, temas que, segundo ele, ainda estão longe de ser prioridade.