Ídolo rubro-negro lamenta ausência de torcedores populares e cobra revisão na política de preços e venda de ingressos no jogo da Libertadores.
A derrota do Flamengo por 2 a 1 para o Central Córdoba, na estreia em casa pela Libertadores, nesta quarta-feira (9), não gerou apenas frustração pelo resultado dentro de campo. Fora das quatro linhas, chamou atenção a presença aquém da esperada no Maracanã: apenas 56.515 torcedores compareceram a um jogo com potencial para casa cheia. Com capacidade para quase 79 mil pessoas, o estádio exibiu espaços vazios visíveis nas arquibancadas.
Júnior aponta elitização e cobra mudanças
Durante a transmissão do jogo, o ex-jogador e comentarista Maestro Júnior, ídolo histórico do Flamengo, criticou abertamente a política de ingressos do clube. Segundo ele, o alto valor das entradas e o modelo de venda afastam o público tradicional, aquele torcedor popular que fazia do Maracanã um verdadeiro caldeirão.
“O Flamengo precisa mudar a forma de venda de ingressos. Num jogo como esse, estreia em casa na Libertadores, era para ter 65, 70 mil pessoas aqui. O preço dos ingressos é alto, e o perfil dos torcedores hoje é completamente diferente daquele que realmente incentiva”, afirmou Júnior.
O ingresso mais barato para o público geral era de R$ 100 no setor Sul — valor considerado inacessível para boa parte da torcida.
Reflexo de uma nova realidade nas arquibancadas
A crítica de Júnior reforça uma discussão recorrente no futebol brasileiro: a elitização dos estádios. Com ingressos mais caros, o ambiente muda — e o apoio das arquibancadas, historicamente pulsante, parece perder força. A fala do ex-camisa 5 do Mengão ecoa o sentimento de milhares de torcedores que se veem afastados dos jogos presenciais, sobretudo nos grandes palcos como o Maracanã.
O episódio reacende o debate sobre pertencimento, identidade e acesso ao espetáculo esportivo — temas que transcendem o futebol e tocam na essência do que significa ser torcedor.