Mesmo após boa campanha na Ligue 1, clube comandado por John Textor cai para a Segunda Divisão por decisão da entidade reguladora
O Lyon foi oficialmente rebaixado à Segunda Divisão do Campeonato Francês nesta terça-feira (24/6), por decisão da Direção Nacional de Controle e Gestão (DNCG), órgão fiscal da Liga de Futebol Profissional da França (LFP). Apesar de ter terminado a temporada 2023/24 na 6ª colocação da Ligue 1, o clube foi punido por irregularidades financeiras graves.
A sanção vem após semanas de especulações e medidas restritivas, como o transfer ban, que já havia impedido o clube de contratar novos jogadores. Agora, a punição atinge o nível mais drástico: o rebaixamento administrativo.
Buraco financeiro e gestão sob suspeita
A origem do problema está em um rombo de 25,7 milhões de euros (aproximadamente R$ 157 milhões) ao final da temporada. Esse déficit elevou a dívida da Eagle Football — grupo que administra o Lyon — para cerca de 500 milhões de euros (quase R$ 3 bilhões). A Eagle é controlada pelo empresário norte-americano John Textor, que também comanda o Botafogo (Brasil), Crystal Palace (Inglaterra) e RWD Molenbeek (Bélgica).
A decisão da DNCG ainda cabe recurso, e o Lyon pode permanecer na elite caso consiga comprovar solidez financeira nos próximos dias. Para isso, Textor tenta reorganizar sua holding: recentemente acertou a venda de 44,9% das ações do Crystal Palace por cerca de R$ 1,4 bilhão, o que pode aliviar a pressão sobre as finanças do grupo.
Textor tenta reverter cenário e nega falência
Apesar do cenário desfavorável, John Textor tem mantido um discurso de otimismo. Em declarações recentes, ele negou que o Lyon esteja falido e rechaçou o rebaixamento como definitivo. O empresário argumenta que há liquidez suficiente para estabilizar o clube e pretende recorrer da decisão nas instâncias cabíveis.
O caso do Lyon acende um alerta sobre os riscos da internacionalização de grupos multiclubes e expõe os limites da gestão esportiva quando desconectada da realidade financeira. O futuro do tradicional clube francês, agora, depende não apenas do futebol, mas de sua capacidade de comprovar solidez fora das quatro linhas.