Tribunal de Justiça de SP nega liminar de aliados de Augusto Melo e mantém presidência interina de Osmar Stabile
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo recusou, na noite desta terça-feira (10/6), o pedido de liminar feito por aliados de Augusto Melo para afastar Osmar Stabile da presidência interina do Corinthians e Romeu Tuma Júnior do Conselho Deliberativo. A juíza Juliana Maria Maccari Gonçalves justificou a negativa ao afirmar que ainda é necessário respeitar o prazo para a apresentação de defesa dos réus e permitir a produção de provas ao longo do processo. O mérito do caso ainda será julgado.
A tentativa de reverter o afastamento foi movida pelos conselheiros Mario Mello Júnior, Ronaldo Fernandez Tomé, Maria Ângela de Souza Ocampos e Peterson Ruan, todos ligados ao ex-presidente Augusto Melo.
Acusações e investigação criminal pesam contra Melo
Augusto Melo enfrenta um processo de impeachment e foi indiciado por crimes como associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro, no caso envolvendo o contrato de patrocínio com a empresa Vai de Bet. A Polícia Civil identificou contradições nos depoimentos de envolvidos e apontou que a intermediação do contrato não foi feita por Alex Cassundé, como alegado, mas por três outros nomes ligados a Melo.
Um relatório anterior revelou ainda que parte da comissão paga pelo clube — cerca de R$ 1 milhão — foi direcionada a uma empresa com vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), o que agravou a situação jurídica do dirigente afastado.
Disputa pelo poder no Conselho Deliberativo
Em meio ao imbróglio judicial, a aliada de Melo, Maria Ângela de Souza Ocampos, tentou se declarar presidente do Conselho Deliberativo, alegando que a decisão do Conselho de Ética de afastar Romeu Tuma Júnior lhe conferia o cargo. O movimento ocorreu em 31 de maio, logo após o afastamento de Melo. No entanto, Tuma contestou a legalidade da ação, e Osmar Stabile, que ocupa interinamente a presidência do clube, não reconheceu a tentativa de mudança.
Com o vice-presidente do Conselho, Roberson de Medeiros, afastado por licença médica, a disputa por espaços no poder do clube se intensifica — enquanto a crise institucional no Corinthians segue sem desfecho.