Presidente da CBF enfrenta processos simultâneos no TJ-RJ, no STF e na Comissão de Ética da entidade, e sua permanência está sob forte ameaça
Ednaldo Rodrigues, atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), vive o momento mais delicado de sua gestão. Com processos abertos em três frentes — Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Supremo Tribunal Federal (STF) e Comissão de Ética da própria entidade — sua permanência no cargo pode ser drasticamente encurtada. Mesmo com o anúncio de Carlo Ancelotti como novo técnico da Seleção nesta segunda-feira (12/5), o clima é de instabilidade.
No TJ-RJ, o desembargador Gabriel Zéfiro cancelou a audiência que ouviria o ex-presidente Coronel Nunes, cuja assinatura em um acordo validando a permanência de Ednaldo é contestada. Alegando problemas de saúde, Nunes não compareceu, e agora Zéfiro — que já votou pelo afastamento de Ednaldo em 2023 — decidirá sem ouvi-lo. Na ocasião, o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) entre o Ministério Público e a CBF foi considerado irregular, e Ednaldo chegou a ser afastado.
STF decidirá futuro da presidência da CBF em julgamento decisivo
O segundo foco de tensão está no STF. O presidente da corte, Luís Roberto Barroso, agendou para 28 de maio o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade que pode invalidar a decisão monocrática de Gilmar Mendes — a qual recolocou Ednaldo no comando da CBF no início de 2024. O julgamento terá implicações amplas, como a definição sobre a legitimidade do Ministério Público para firmar TACs com entidades esportivas. Se o plenário seguir o entendimento anterior do TJ-RJ, o mandato de Ednaldo pode ser anulado.
Comissão de Ética amplia pressão interna com investigações abertas
Além dos embates jurídicos externos, Ednaldo é alvo de duas denúncias aceitas pela Comissão de Ética da CBF. Uma delas, apresentada pela deputada federal Daniela Carneiro, trata de suposta falsificação de assinatura de Coronel Nunes no mesmo acordo que garantiu a reeleição de Ednaldo. A outra, do vereador Marcos Pereira, traz acusações de assédio e descumprimento de TACs trabalhistas, mas foi arquivada pelo Ministério Público do Trabalho. Ainda assim, a investigação interna reforça o cerco político e ético em torno do presidente.