Clube contesta suspensão do atacante com base em laudo de leitura labial e declarações de testemunha-chave.
O América-MG ingressará com um pedido de reconsideração da suspensão imposta ao atacante Miguelito pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O jogador foi denunciado por Allano, do Operário-PR, sob acusação de injúria racial, fato que resultou em sua detenção em Ponta Grossa no domingo (4/5), após partida válida pela Série B do Campeonato Brasileiro. O Ministério Público do Paraná acolheu a denúncia, ampliando a gravidade do caso.
Contudo, o clube mineiro contratou um profissional para realizar um laudo de leitura labial, que apresenta uma reviravolta no caso. Segundo o parecer técnico, Jacy — companheiro de time de Allano e testemunha-chave no processo — teria afirmado, nas imagens analisadas, não ter ouvido qualquer ofensa por parte de Miguelito.
Leitura labial indica contradição no depoimento
O trecho analisado corresponde ao momento exato em que Jacy, à beira do campo, conversa com atletas e membros da comissão técnica do América-MG. O laudo aponta que ele teria dito: “Eu não ouvi, não”, o que contraria a versão apresentada inicialmente à polícia.
O documento reforça a defesa do jogador boliviano e será incluído no recurso enviado ao STJD, com o objetivo de anular ou reduzir a suspensão imposta ao atleta.
Presidente do América sai em defesa do atacante
Em entrevista ao Metrópoles, Alencar da Silveira Jr., presidente do América-MG, saiu em defesa de Miguelito:
“Conheço a seriedade do Miguelito, seu comportamento e sua juventude. Sempre estivemos na linha de frente contra o racismo, mas essa luta precisa ser conduzida com responsabilidade. O que vemos agora são falas mentirosas que minam a credibilidade do combate ao racismo.”
Miguelito foi solto na segunda-feira (5/5) e aguardará o andamento das investigações em liberdade. O julgamento do caso está previsto para ocorrer na próxima semana, e o América-MG espera reverter a punição com base nas novas evidências.