Após dois meses de audiências, tribunal declara processo inválido e decisão causa indignação entre familiares e opinião pública
A Justiça da Argentina anulou, nesta quinta-feira (29/5), o julgamento sobre a morte de Diego Armando Maradona, um dos maiores ídolos da história do futebol mundial. O tribunal responsável pelo caso considerou o processo inválido, encerrando de forma abrupta um julgamento que estava suspenso desde o dia 20 de maio, após mais de dois meses de audiências.
A decisão, que surpreende pelo momento em que ocorre — já em fase avançada de instrução —, gera repercussão nacional e internacional, sobretudo pela figura emblemática que Maradona representa para os argentinos.
Julgamento já enfrentava instabilidades
O julgamento investigava possíveis responsabilidades da equipe médica que acompanhava Maradona em seus últimos dias de vida, em 2020, quando o craque faleceu aos 60 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória. A suspensão temporária no último dia 20 já havia levantado questionamentos sobre a condução do processo.
Entre os réus, estavam médicos, enfermeiros e psicólogos acusados de negligência no tratamento domiciliar de Maradona. A filha do ex-jogador chegou a classificar parte do processo como uma “encenação”, revelando insatisfação com a condução judicial e o tratamento dado à memória do pai.
Decisão pode gerar nova batalha judicial
Com a anulação, abre-se espaço para recursos por parte da promotoria ou para o início de um novo processo, dependendo da fundamentação legal e da pressão da sociedade. Familiares e representantes legais de Maradona devem se manifestar oficialmente nas próximas horas, e é esperado um novo embate jurídico para reavaliar as condições da morte do ex-camisa 10 da seleção argentina.
A anulação do julgamento não apenas interrompe um processo judicial delicado, mas também reacende o debate sobre impunidade e justiça em torno de figuras públicas que, mesmo após a morte, permanecem no centro das atenções nacionais.