Lateral venezuelano do Talleres teria sido chamado de “morto de fome” por Bobadilla, do São Paulo, e deixou o campo chorando
Um episódio lamentável manchou o fim da partida entre São Paulo e Talleres, nesta terça-feira (27/5), pela última rodada da fase de grupos da Libertadores. O lateral-esquerdo venezuelano Miguel Navarro, do time argentino, acusou o volante Damián Bobadilla, do Tricolor paulista, de proferir uma ofensa xenofóbica ao chamá-lo de “venezuelano morto de fome”.
A denúncia ganhou força após Navarro sair visivelmente abalado do campo, amparado por colegas de equipe e até por adversários. A cena comoveu torcedores e levantou questionamentos sobre atitudes discriminatórias em campo. O gesto protocolar contra racismo, previsto pela FIFA — cruzar os punhos sobre a cabeça — não foi realizado pela arbitragem, mesmo com a paralisação momentânea da partida.
Jogador se emociona e colegas denunciam o caso publicamente
O momento mais tenso ocorreu após o gol da virada do São Paulo, aos 41 minutos do segundo tempo, marcado por Luciano. Uma confusão teve início em campo e, logo em seguida, Navarro desabou em lágrimas. Após o apito final, o também jogador do Talleres, Augusto Schott, deu declarações fortes na transmissão oficial, denunciando o ocorrido como um ato de racismo.
“Estamos num ambiente que fala muito sobre luta contra a discriminação. É doloroso ver um companheiro sendo alvo de algo tão baixo. Não podíamos ignorar”, afirmou Schott.
Navarro, por sua vez, evitou dar detalhes, mas confirmou o nome do acusado: “Sim, Bobadilla. Ele sabe o que disse. Me ofendeu. Só quero ir para casa”, desabafou, visivelmente emocionado.
Repercussão e medidas a serem tomadas
A situação teve desdobramentos imediatos. Navarro dirigiu-se ao posto da Polícia Militar presente no estádio do MorumBIS, mas até o momento não foi confirmada a formalização de uma denúncia oficial. O técnico do Talleres, Mariano Levisman, classificou o caso como xenofobia e criticou a falta de ação direta da arbitragem.
“Há um discurso forte sobre conscientização, mas na prática, ainda enfrentamos episódios como esse. É inadmissível”, afirmou o treinador, relatando que Navarro cogitou abandonar o campo.
A Conmebol ainda não se pronunciou oficialmente, mas o caso deve entrar em pauta, com possíveis investigações e sanções disciplinares. A acusação de xenofobia pode resultar em punições severas, caso confirmada.