Juiz recusa solicitação de atacante do Cruzeiro para que presidente do Palmeiras não mencione seu nome publicamente
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou o pedido do atacante Dudu, do Cruzeiro, para impedir a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, de fazer menções públicas ao seu nome. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (23/4) pelo juiz Sérgio Serrano Nunes Filho, da 11ª Vara Cível, que classificou a solicitação como tentativa de “censura prévia”, em desacordo com os princípios constitucionais de liberdade de manifestação e crítica.
Segundo o magistrado, o pedido do atleta se mostrou “abrangente e subjetivo”, o que exigiria ampla análise do mérito e o devido contraditório. “A pretensão liminar desborda dos limites dos direitos constitucionais e, de todo modo, é vedada pelo texto constitucional a censura prévia”, escreveu o juiz na decisão.
Conflito público entre ex-jogador e dirigente
A disputa judicial entre Dudu e Leila ganhou visibilidade após o jogador publicar uma imagem com os troféus conquistados no Palmeiras e a legenda provocativa “me esquece VTNC”, expressão vulgar que gerou forte repercussão. A presidente do clube paulista se sentiu diretamente atacada e, em resposta, decidiu entrar com uma ação judicial pedindo R$ 500 mil de indenização por danos morais.
Em contrapartida, a defesa de Dudu argumenta que o atacante foi alvo de assédio moral e que teria renunciado a valores financeiros ao deixar o Palmeiras. Os advogados ainda pediram, como forma de reparação simbólica, que Leila se desculpe publicamente nos telões do Allianz Parque, durante jogos da equipe.
O que dizem os advogados
Na tentativa de restringir manifestações da presidente, os advogados de Dudu solicitaram uma tutela provisória, com multa mínima de R$ 100 mil por cada menção indevida. A justificativa era evitar o agravamento de danos à imagem do atleta. Contudo, a Justiça entendeu que a medida liminar não se sustentava juridicamente, justamente por afetar o direito à liberdade de expressão.
A disputa entre ídolo e dirigente, que extrapolou os bastidores e chegou aos tribunais, segue sem desfecho final, evidenciando a tensão entre antigos aliados em uma das maiores instituições do futebol brasileiro.