Clube mato-grossense recorre ao mercado de capitais após rebaixamento à Série B, garantindo operação com centro de treinamento avaliado em R$ 50 milhões
A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Cuiabá Esporte Clube captou R$ 20 milhões por meio da emissão de debêntures-fut, instrumento regulamentado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) voltado ao financiamento de clubes de futebol. A operação foi estruturada pela Semear Banco de Investimentos e visa melhorar o fluxo de caixa e mitigar impactos financeiros após o rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro.
Operação estruturada e garantias robustas
A emissão foi dividida em duas séries com remuneração atrelada ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), sendo uma a CDI + 5% e outra a CDI + 7%, com prazo de 24 meses para vencimento e 180 dias para captação. Como garantia, o clube ofereceu seu centro de treinamento, avaliado em R$ 50 milhões — um ativo considerado estratégico pela diretoria, que investiu mais de R$ 40 milhões no espaço.
Queda de receita e ajustes financeiros
A passagem do Cuiabá pela Série A proporcionou crescimento expressivo nas receitas, que chegaram a R$ 168,5 milhões em 2024. Com a queda para a Série B, o clube estima redução de até 50% na arrecadação. Para equilibrar as finanças, a gestão reduziu custos com elenco e agora utiliza a emissão das debêntures para preservar a saúde financeira.
Dívida baixa e expectativa de retorno
Apesar do cenário adverso, o Cuiabá mantém uma posição fiscal sólida, com apenas R$ 841 mil em empréstimos e financiamentos. Além disso, o clube tem R$ 34 milhões a receber pela venda de atletas — montante superior ao valor captado, sinalizando potencial para recuperação e estabilidade a médio prazo.