Futebol Profissional
Felipe Melo: ‘Por que não sonhar?’
Publicado em
17 de dezembro de 2023por
Da RedaçãoO zagueiro Felipe Melo pode bater um recorde no Mundial de Clubes da FIFA, ser o mais velho jogar de linha a participar de um Mundial de Clubes e fala sobre as chances de título do Fluminense, com a experiência de quem já conhece o Al Ahly.
“Como ele conseguia aquilo?”, se pergunta Felipe Melo ao lembrar que, aos 39 anos, Paolo Maldini teve uma atuação brilhante quando o Milan rompeu o monopólio brasileiro na Copa do Mundo de Clubes da FIFA™ em 2007. O agora zagueiro do Fluminense, que fez seu nome no futebol italiano vestindo a camisa de clubes como Fiorentina, Juventus e Internazionale, chegou a Jidá recentemente para a 20ª edição do torneio com a informação de que nunca um jogador de linha de mais de 40 anos disputou a competição. Isso, porém, é um recorde que o veterano está prestes a reescrever. Mas não termina aí — o “Pitbull” está decidido a acabar com outra escrita. Os clubes brasileiros ganharam as três primeiras edições do Mundial, mas os europeus venceram as últimas dez. Agora, o zagueiro quer ajudar o Fluminense a conquistar o mundo. A FIFA conversou com o jogador sobre o sonho que ele quer realizar na Arábia Saudita 2023, o Manchester City, o recorde que está prestes a quebrar, os companheiros de equipe André e Germán Cano, e a torcida do Fluminense.
Você vem de uma família de torcedores do Flu. Que lembranças tem disso de quando era pequeno?
Felipe Melo: A primeira vez que fui a um estádio de futebol para assistir a um jogo profissional foi nas Laranjeiras, um Fluminense x Goytacaz, que hoje está na terceira divisão carioca. Eu tinha seis ou sete anos e o meu pai me levou. Uma lembrança boa que tenho é que a primeira camisa de clube que vesti foi a do Fluminense. Tinha sete anos. Meu pai era um torcedor roxo. Quando não ia para as Laranjeiras ou o Maracanã, ele ouvia [o jogo] no rádio, a narração. Meu pai sempre foi fanático pelo Tricolor. Não só o meu pai, mas meus avós e a minha família em geral sempre foram tricolores.
Como foi ajudar o Fluminense a ganhar a Libertadores para o seu pai?
Foi um sonho que realizei para o meu pai. Meu avô paterno era tricolor e também era fanático. Foi ele quem me fez ser tricolor quando eu era bem pequeno, com cinco ou seis anos. Só tenho algumas lembranças dele, mas foi ele quem criou essa tradição na nossa família. Lembro que, quando ganhamos a Libertadores no Maracanã, ainda estávamos dentro do campo e o meu pai disse: “Meu pai teria ficado muito feliz. Ele deve estar muito feliz agora, seja onde for que estiver”. Para o meu pai, foi a realização de um sonho. Foi mais do que orgulho, foi a realização de um sonho ver como seu time de infância era campeão e ver como o filho dele era um dos capitães da equipe.
Vai ser difícil chegar à final da Copa do Mundo de Clubes da FIFA?
Muito difícil. Quando estive aqui com o Palmeiras, o Al Ahly ganhou da gente na disputa do terceiro lugar. Foi durante a pandemia. Não tivemos muito tempo para descansar, nos acostumar com o fuso horário, mas era um time muito forte, muito bem treinado. Estamos nos preparando o melhor possível para enfrentá-lo e todos nós temos que jogar o nosso melhor futebol para nos classificar.
No Instagram, você escreveu: “Tenho um sonho”. Acha que o Fluminense pode acabar com o domínio europeu e ganhar a Copa do Mundo de Clubes da FIFA?
Eu levo comigo três palavras. A primeira é “sonhar”, a segunda é “profetizar” e a terceira é “realizar”. Acredito que formam parte de um sonho. O sonho acaba sendo a minha maneira de pensar e também o meu ato de fé. Muitas vezes, no início o sonho parece muito distante. Quando cheguei no Fluminense, falei sobre o sonho de ganhar a Libertadores e muita gente riu. Agora, somos campeões da Libertadores e estamos aqui na Copa do Mundo de Clubes. Por que não sonhar?
Vimos grandes equipes como o Barcelona do Ronaldinho Gaúcho perder para o Inter de Porto Alegre, o Chelsea perder para o Corinthians, o Liverpool perder para o São Paulo. O Palmeiras quase conseguiu contra o Chelsea também. Sabemos que vai ser muito difícil. Não sabemos se o Manchester City vai alcançar a final nem se nós vamos. Estive aqui com o Palmeiras e perdemos na semifinal.
Então, temos que nos preparar o melhor possível e, se chegarmos à final — e se o Manchester City chegar à final —, temos que sonhar, porque são 11 contra 11 e nós treinamos muito duro. O primeiro ato é sonhar. Sonhar é grátis, não custa nada. Eu sonho, tenho muita fé em Deus de que podemos conseguir essa conquista que tanto desejamos.
O Manchester City é favorito ao título. O que você acha dele?
É o melhor time da Europa nos últimos cinco anos, apesar de não ganhar a Liga dos Campeões [da UEFA nas quatro primeiras tentativas]. Eles estão vivendo uma coisa com a qual não estão acostumados: tiveram alguns resultados ruins no Campeonato Inglês e viram como o Liverpool assumiu a liderança da tabela. Mas sabemos do potencial do Manchester City, eles têm um grande técnico e uma mescla de força, velocidade e qualidade técnica. Têm um jogador muito bom lá na frente, que está sempre se movimentando. São muito bons na saída de bola a partir da defesa. Nós estamos estudando muito o time deles, treinando para valer. Sabemos que vai ser muito difícil, mas o fato é que nada é impossível nesta vida. Sou cristão, leio muito a Bíblia e ela diz: “Se você acreditar, tudo é possível”. Por isso, tudo é possível.
Você jogou de volante por muitos anos. O que acha agora do André?
Ele está no início da carreira, mas começou muito bem. Tem 21, 22 anos e já é ídolo de um clube tão grande quanto o Fluminense, já ganhou títulos importantes. Eu o vejo como o futuro da nossa Seleção. Sou um cara que gosta de conversar, ajudar, encontrar soluções. Ele precisa melhorar algumas coisas, o que é normal considerando a idade dele. Mas, sem dúvida nenhuma, o André tem tudo para se tornar um dos melhores volantes do mundo.
Você está prestes a se tornar o jogador de linha mais velho a disputar a Copa do Mundo de Clubes da FIFA. Como se sente em relação a essa marca?
É emocionante ser campeão da Libertadores aos 40 anos e, mais do que isso, ser um dos jogadores mais importantes dessa conquista, chegar ao Mundial de Clubes e disputá-lo. Sou muito grato a Deus por isso, mas também vale a pena ressaltar o preço que pago a cada dia para conseguir entrar em campo e dar o meu melhor. Tenho toda uma equipe fora de campo que me ajuda, tanto com o trabalho físico quanto com o psicológico.
Pago um preço considerável, mas, como disse, agradeço a Deus por isso. A Bíblia também fala sobre a lei de colher o que se planta. Isso nunca falha. Se você continuar plantando, vai continuar colhendo coisas boas. Não sabia desse recorde. Isso me dá um orgulho enorme, jogar nesse Mundial aos 40 anos e quebrar esse recorde. É incrível para mim e me enche de orgulho.
Você jogou ao lado de nomes como Alessandro Del Piero, David Trezeguet, Ciro Immobile, Luca Toni, Stevan Jovetic, Mauro Icardi e Didier Drogba. Como é o Germán Cano em comparação com jogadores desse calibre?
Já joguei com jogadores que finalizam como ele. A finalização do Del Piero não perdia para a de ninguém. Quanto às finalizações de primeira, nunca vi ninguém no nível do Trezeguet. Ele era fantástico. O Drogba era um monstro. São todos ídolos do futebol. O Germán Cano, com tudo que fez nos últimos dois anos, está no nível desses ídolos. É uma pena que ele não tenha tido a oportunidade de mostrar o que sabe na seleção argentina, porque fez muito mais do que era preciso para merecer uma chance.
O que você acha da torcida do Fluminense?
É o nosso combustível, a nossa gasolina. O combustível para a nossa ascensão foi sem dúvida a relação entre o clube e os torcedores. Isso faz uma diferença enorme. Ganhamos quase todos os nossos jogos em casa no ano passado. As estatísticas mostram o desempenho positivo que temos em casa. Isso se deve à nossa torcida, que sempre lota o estádio. Gosto de dar exemplos. No jogo de ida da final do Campeonato Carioca, perdemos por 2 a 0. Na volta, a torcida encheu o Maracanã. Quando entramos no gramado e vimos a torcida tricolor, dissemos: “Ela acredita em nós”. Apesar de estarmos com uma desvantagem de dois gols, ela acreditava em nós. Ganhamos aquele jogo por 4 a 1, voltamos para casa como campeões e, a partir daquele momento, viramos um time muito forte em casa. A torcida teve um papel muito importante no sucesso do Fluminense neste ano. Parabéns para ela. Ver a torcida do Fluminense lotar o Maracanã, gritar, torcer e nos empurrar a cada minuto me enche de orgulho.
Por último, você tem alguma mensagem para os torcedores?
Primeiro, gostaria de agradecer aos torcedores do Fluminense. Estamos vivendo esse sonho juntos e continuaremos vivendo esse sonho juntos. Vamos continuar sonhando, profetizando o que vai acontecer e [no estádio] vamos realizar isso — nós em campo e vocês nas arquibancadas. Tudo em que vocês acreditam é possível.
Fonte: Esportes
Futebol Profissional
Rayan salva Brasil no fim e Seleção empata com a Austrália em estreia após a Copa
Published
6 horas agoon
25 de setembro de 2026By
Da Redação
Em sua primeira partida depois da eliminação na Copa do Mundo de 2026, o Brasil não convenceu, mas escapou da derrota. A Seleção empatou em 1 a 1 com a Austrália nesta sexta-feira, no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville, e só conseguiu evitar o tropeço no último lance da partida, quando Rayan cabeceou para deixar tudo igual. Irankunda, de falta, havia colocado os donos da casa na frente.
O técnico Carlo Ancelotti aproveitou o amistoso para testar e deu chances de estreia a Vitor Reis, Matheuzinho, Mauro Júnior e Jair. As mudanças, porém, não renderam o efeito esperado: a equipe apresentou um futebol pobre e ainda sofreu com as más condições do gramado.
O jogo
O primeiro susto, aliás, veio dos australianos. Aos seis minutos, Irankunda arriscou de longe e obrigou Hugo Souza a fazer boa defesa. O Brasil, atrapalhado pelo campo irregular de Townsville, demorou a se encontrar e só chegou com perigo aos 25 minutos, em chute de Estêvão para fora. Aos 37, Vinicius Júnior disparou em contra-ataque e serviu Raphinha, que finalizou por cima, com desvio. Estêvão ainda comemorou um gol aos 45 minutos, mas o tento foi anulado após revisão do VAR, por falta de Bruno Guimarães na origem da jogada.
O segundo tempo começou no mesmo ritmo lento. Sem conseguir criar, o time brasileiro só voltou a assustar aos 17 minutos, quando Vini Jr. lançou Raphinha, que invadiu a área e chutou cruzado, com muito perigo.
A Austrália soube capitalizar a fraca atuação brasileira. Aos 22 minutos, Irankunda cobrou falta com força, no alto, sem chances de defesa para Hugo Souza, e abriu o placar.
A Seleção partiu para o tudo ou nada na reta final e foi premiada no último lance. Raphinha cobrou escanteio com precisão para Rayan, que cabeceou firme. A bola desviou no goleiro Beach, tocou o travessão e entrou, garantindo o empate.
O Brasil volta a campo na terça-feira, 29, para o segundo amistoso contra a Austrália, às 7h (de Brasília), no Suncorp Stadium, em Brisbane.
| Austrália 1 x 1 Brasil | |
|---|---|
| Competição | Amistoso |
| Local | Queensland Country Bank Stadium, em Townsville (Austrália) |
| Data | 25 de setembro de 2026 (sexta-feira) |
| Horário | 7h (de Brasília) |
| Placar | Austrália 1 x 1 Brasil |
| Cartões amarelos | Irvine (Austrália) |
| Cartões vermelhos | Nenhum |
| ARBITRAGEM | |
|---|---|
| Árbitro | Ryo Tanimoto (JAP) |
| Assistentes | Kota Watanabe (JAP) e Kohe Ando (JAP) |
| VAR | Yusuke Araki (JAP) |
| GOLS | |
|---|---|
| Irankunda | Aos 22 minutos do 2º tempo (Austrália) |
| Rayan | Aos 49 minutos do 2º tempo (Brasil) |
| ESCALAÇÕES | |
|---|---|
| Austrália | Beach; Italiano (Geria), Circati, Souttar, Herrington e Behich; Irvine (Yazbek) e Okon-Engstler (O’Neill); Metcalfe (Younis), Irankunda (McGree) e Yengi. Técnico: Tony Popovic |
| Brasil | Hugo Souza; Matheuzinho, Marquinhos, Vitor Reis (Jair) e Douglas Santos (Mauro Júnior); Danilo e Bruno Guimarães (Douglas Luiz); Raphinha, Estêvão (Rayan), Vini Jr. (Samuel Lino) e Endrick (Pedro). Técnico: Carlo Ancelotti |
Fonte: Esportes
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